28 de mai de 2013

A VOLTA DOS MONSTROS

Um fato estranho, anacrônico e irônico marca a segunda rodada do Brasileirão. Às vésperas da Copa das Confederações e da Copa do Mundo, uma partida oficial, válida pela principal competição do país, acontecerá em um local sem refletores. Me refiro ao confronto entre Atlético-PR e Cruzeiro, a ser realizado às 15h desta quarta-feira, no Estádio Presidente Érton Coelho de Queiroz, em Curitiba.
Também conhecido como Vila Olímpica do Boqueirão, o local serve como centro de treinamento do Paraná Clube, proprietário do estádio. Pertencia ao Pinheiros quando foi construído no início da década de oitenta, mas, com a fusão entre este clube e o Colorado, que resultou na fundação do Paraná, passou a ser propriedade do tricolor paranaense.
O horário e o local do jogo estão fora de sintonia com qualquer discurso de modernidade adotado nos dias de hoje. No momento em que o Brasil está cercado de construções e pretensos avanços rumo a profissionalização do futebol, um jogo em um estádio sem refletores é no mínimo irônico.
Mas até que a metáfora cai bem. No futebol brasileiro a maioria das coisas são mesmo feitas às escuras e quanto menos holofotes melhor. Depois de anos seguidos de boa organização na tabela do Brasileirão (desde 2003 que as coisas entraram no eixo) assistiremos nesta quarta a um lamentável episódio que nos remete ao velho e bom estilo fanfarrão de se fazer futebol por aqui.
Dirão os mais prudentes que esse é um ano especial por conta dos estádios fechados e da interrupção da competição; e assim será também em 2014. Ainda assim, respondo aos cautelosos, deve haver um planejamento capaz de dar conta dessas atrocidades. Do contrário, outros monstrengos hão de surgir.


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