14 de out de 2015

JOGO DURO

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A FIFA é um imenso buraco negro. Após a renúncia de Joseph Blatter, os escândalos e o recente afastamento de Michel Platini por suspeita de corrupção um vácuo profundo tomou conta da instituição máxima do futebol mundial.
Em todos os casos de alternância de poder, seja lá de qual esfera estejamos tratando, sempre que há um vazio de esperança, o novo sempre ganha força pelo simples fato de ser novidade. Nessa esteira é que caminha a candidatura de Zico. O Galinho aposta na desesperança para alavancar sua candidatura.
É claro que as eleições da FIFA têm um caráter especial. Não costuma ser um pleito que leva em consideração o clamor popular. Apesar do futebol ser o esporte mais popular do mundo, a cartolagem jamais abriu a instituição. Nesse sentido, a FIFA é também uma caixa preta.
Zico tem muito conhecimento do mundo do futebol como negócio. Está a frente de um clube há muitos anos e faz negócios com o futebol oriental. Atuou como dirigente do Flamengo em 2010 por apenas 4 meses e não se pode dizer que foi bem sucedido. Como Ministro dos Esportes, durante o governo Collor, não realizou nenhuma melhoria significativa ao ponto de ser lembrado. 
A maior dificuldade de Zico é conseguir as 5 assinaturas de federações nacionais necessárias para confirmar sua candidatura. Até 26 de outubro, o ex-jogador precisa convencer dirigentes de que seu nome é o mais indicado para o cargo de presidente da FIFA.
Além de Zico, há outros pré-candidatos mais influentes. Platini está há anos à frente da UEFA, o que lhe dá gabarito. Seu maior problema é conseguir se livrar das recentes denúncias. O coreano Chung Mong-Joon também surge como um candidato forte por ser presidente da Hyundai. Seu impeditivo é parecido com o de Platini. Mong-Joon está afastado preventivamente da FIFA por denúncias de corrupção.
O grande favorito é o príncipe da Jordânia, Ali Bin Al-Hussein. Derrotado por Blatter nas últimas eleições, Al-Hussein conquistou notoriedade. É o nome favorito dos EUA para ocupar o cargo. Os norte-americanos tem interesse direto no processo eleitoral, pois o futebol é o esporte que mais cresce por lá. Há um mercado enorme à espera. 
EUA e Jordânia mantém relações amistosas. Há interesses comerciais e estratégicos envolvendo os países. Ter um presidente jordaniano na FIFA pode ser interessante para ambos. 
Não por acaso, os EUA promoveram todas as prisões recentes no mundo do futebol. A ideia é desestabilizar o poder estabelecido há décadas e deixar caminho livre para Al-Hussein.
Zico é o azarão. Até mesmo o Galinho sabe que não é seu momento ainda. Entra na briga para ganhar visibilidade e voltar mais forte em outra ocasião. A vez é do príncipe da Jordânia. Política não é para ingênuos. Zico sabe disso.

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