24 de mai. de 2016

DE BANDEIRA A CAETANO: O FUTEBOL DO FLA NÃO MUDA

Se Eduardo Bandeira de Mello desistiu de chefiar a delegação da CBF nos Estados Unidos é porque, seguramente, decisões importantes se avizinham na Gávea. O clima político ferve no Flamengo. Há alguns postulantes ao cargo de Rodrigo Caetano. O Diretor permaneceu, mas sua alma já está encomendada faz tempo. Bastam novas derrotas para tudo mudar outra vez.
A desistência de Bandeira foi uma decisão política. Ele não pode largar seu posto nesse momento de indefinições, sob pena de se enfraquecer ainda mais dentro do Flamengo. Por outro lado, o Presidente deixa escapar uma ótima oportunidade de reatar laços políticos importantes na CBF. Se sua relação com a Federação Carioca é muito ruim, ainda havia alguma esperança de se salvar na Confederação. Por isso, Eduardo vai marcar presença na partida de estreia da Seleção na Copa América, dia 4 de junho, na Califórnia, contra o Equador. É uma maneira de demarcar território, de demonstrar as intenções.
O mandatário rubro-negro vive assim: entre a cruz e a espada. De um lado, faz uma das melhores administrações financeiras que o clube já viveu. Por outro, demonstra total inabilidade política para conduzir os rumos do futebol. Ele não tem essa veia da malandragem, tão cara aos administradores da bola. Vai ficar marcado como o presidente fracassado porque não ganhou muitos títulos. Essa é a dura realidade do mundo do futebol.
Toda essa crise conjuntural que vive o futebol do Flamengo passa pelo esvaziamento de Rodrigo Caetano. Ele é figura central dos embates entre correligionários de Eduardo Bandeira. Caetano é centralizador. Tem uma maneira muito abrangente de administrar as coisas. O dirigente tem tentáculos em muitos setores e isso, seguramente, incomoda.
Caetano está mantido. Entretanto, o Flamengo busca um nome para co-gerir o departamento de futebol. Alguém que possa fazer uma sombra, por assim dizer, a Rodrigo. A decisão, bancada por Bandeira de Mello, é uma clara tentativa de agregar gregos e troianos. Pretende o Presidente, com isso, apaziguar os ânimos nos bastidores rubro-negros.
Contudo, a manobra acaba por fragilizar ainda mais Rodrigo Caetano. Se o time continuar perdendo, mesmo com a chegada de mais um dirigente, a culpa será do antigo gestor. Se o Flamengo começar a vencer, será mérito de quem chegou, e não de quem já estava.


4 de mai. de 2016

RENOVAÇÃO DE GEGÊ: PELA VALORIZAÇÃO DA BASE

Gegê faz parte de uma valorosa geração de jogadores do Botafogo. Teve em Oswaldo de Oliveira, em 2013, um grande incentivador. Foi o treinador quem deu a primeira chance ao jovem atleta. Em 2014, quando foi titular pela primeira vez, marcou 1 gol e deu passe para outro na vitória sobre o Flamengo por 2x1. Teve ali, aos 19 anos, o ponto mais marcante de sua trajetória até aqui.
Desde então, Gegê vive altos e baixos no Glorioso. Andou às turras com o torcedor e recuperou a confiança depois de boas atuações no estadual. Ele vive, agora, uma indefinição em sua carreira. Com contrato se encerrando no domingo (8), não sabe se permanece ou não em General Severiano. Ricardo Gomes gostaria da permanência, afinal não possui muitas alternativas no elenco. A diretoria não parece estar tão convicta disso. Caso não renove, não seria surpresa para mim que Gegê aparecesse no Sport Recife, clube treinado por Oswaldo de Oliveira, confesso admirador do futebol do garoto.
A contratação dele não é difícil. Assim que o vínculo se encerrar, o clube que desejar o meia poderá levá-lo a custo zero, o que seria desastroso para o Botafogo. Consta que hoje haverá importante reunião na sede do clube para adiantar a renovação do contrato. É bom que isso se concretize. Não por ser Gegê um craque inigualável, mas por ser um jogador da base que ainda pode render muito mais do que rendeu até aqui. Quem sabe até se valorizar um pouco mais e, assim, render bons dividendos ao Botafogo?
Já no final do ano passado, Gegê perigou não permanecer. Ricardo Gomes, esse mesmo que se rende ao futebol do meia agora, não o utilizava com frequência. Até mesmo o meia já dava como certa a sua saída. O contrato foi renovado até o fim do estadual. Mas, agora é diferente. Gegê é titular e seu empresário vai jogar um pouco mais duro.
Gegê é fruto de uma boa geração alvinegra. Talvez seja este o maior mérito, dentre tantos deméritos, da administração Maurício Assumpção. Gabriel, Vitinho e Jadson são nomes que marcaram esse período. Foram todos mal aproveitados ou mal negociados. A geração atual, conta com nomes como: Luis Henrique, Émerson, Ribamar e Fernandes. Uma nova chance para fazer bem feito. Que os erros passados sejam aprendidos pelos atuais dirigentes. E que comece com a renovação de Gegê. 





6 de fev. de 2016

UM OUTRO SALGUEIRO

O Botafogo está em vias de contratar mais um gringo para seu elenco. Trata-se do atacante uruguaio Salgueiro. Ele vem como a solução esperada para o ataque alvinegro que sofre sem um homem de área. 
No entanto, Salgueiro não atua propriamente enfiado na grande área. Ele sai para buscar a bola e tem mais mobilidade do que os tradicionais homens-gol. 
Os números do jogador mostram uma capacidade apenas razoável de balançar as redes. Não se trata de um artilheiro nato. No Danúbio, clube que o revelou e pelo qual mais vezes atuou na carreira, fez 21 gols em 83 jogos. O Estudiantes foi o segundo time pelo qual mais vezes jogou: 69 partidas. Por lá, balançou as redes apenas 7 vezes.
Houve ainda uma passagem pelo Real Murcia da Espanha, onde não marcou em 9 jogos. O Olimpia, sua última agremiação, contou com apenas 6 gols de Salgueiro em 27 jogos.
Portanto, torcedor alvinegro, não se iluda com esta contratação. Salgueiro pode e deve ser uma boa peça para Ricardo Gomes. Mas, definitivamente, ele não é o artilheiro que está sendo propagado por aí. 

9 de dez. de 2015

EURICADA

Eurico Miranda, em mais uma de suas "euricadas", resolve dissolver quase toda a comissão técnica e o departamento de futebol. Alega o controvertido dirigente que o trabalho "não deu certo".
Apenas Jorginho, Zinho, Alex Evangelista e Joelton Urtiga permanecerão. Do departamento de futebol saem: Paulo Angioni e José Luís Moreira. Isaías Tinoco está de volta e terá ao seu lado o filho do mandatário, Euriquinho.
Está certo que Jorginho tem muito mérito no trabalho que fez. Apesar do rebaixamento, foi quase perfeita a campanha sob seu comando. Entretanto, o treinador não fez nada sozinho. Havia ali uma comissão técnica que tem considerável parcela na recuperação do Vasco.
Eurico não leva em consideração que o time foi campeão estadual com boa parte dessa comissão. Ele apela para a saída mais óbvia. Usa a arma de todo dirigente da velha guarda: medidas extremas para ofuscar o real problema.
Subiu à cabeça do dirigente um delírio de poder absoluto, logo após a conquista do Carioca. "O respeito voltou" foi o brado da loucura de Eurico. Repetia a frase sempre que precisava demonstrar poder, um poder que já não há mais.
Sua insanidade o fez acreditar na ilusão que tinha um elenco de respeito. E não tinha. Falta ao Vasco muita coisa. Mas, acima de tudo, falta uma visão mais moderna de gestão esportiva. Os velhos feudos do futebol estão caindo. Os coronéis estão se desfazendo como papel molhado. O respeito ao Vasco ainda há de voltar.

5 de dez. de 2015

A VEZ DAS LUVAS

Toda decisão de campeonato já carrega consigo dramas suficientes para entrar para a história. Entretanto, algumas finais são mais marcantes por alguns detalhes bem peculiares. Um gol irregular, um outro de barriga ou de falta no último minuto.
A decisão da Copa do Brasil 2015 ficará lembrada pela atuação de um goleiro. Fernando Prass foi gigante. Cumpriu seu dever e muito mais. Além de ter feito as defesas de pênaltis, vestiu a camisa de um atacante, encarnou Evair e cobrou a penalidade da vitória.
Acho muito gratificante quando um goleiro vira protagonista da história. Ele é, dentre todas as posições, a mais sofrida. O goleiro é sempre o primeiro a chegar e o último a deixar o campo de treinos. Seu trabalho é sempre redobrado. Em um jogo, suas defesas, por vezes, não são lembradas. Por outro lado, suas falhas são imperdoáveis, pois sempre resultam em gol do adversário.
Fernando Prass honrou a profissão. Debaixo das traves ou na marca da cal, o goleiro deixou orgulhosos monstros, como: Jean Marie Pfaff, Walter Zenga, Dasayev, Taffarel, Michel Preud'homme e tantos outros. 

14 de out. de 2015

JOGO DURO

Wikipedia.org
A FIFA é um imenso buraco negro. Após a renúncia de Joseph Blatter, os escândalos e o recente afastamento de Michel Platini por suspeita de corrupção um vácuo profundo tomou conta da instituição máxima do futebol mundial.
Em todos os casos de alternância de poder, seja lá de qual esfera estejamos tratando, sempre que há um vazio de esperança, o novo sempre ganha força pelo simples fato de ser novidade. Nessa esteira é que caminha a candidatura de Zico. O Galinho aposta na desesperança para alavancar sua candidatura.
É claro que as eleições da FIFA têm um caráter especial. Não costuma ser um pleito que leva em consideração o clamor popular. Apesar do futebol ser o esporte mais popular do mundo, a cartolagem jamais abriu a instituição. Nesse sentido, a FIFA é também uma caixa preta.
Zico tem muito conhecimento do mundo do futebol como negócio. Está a frente de um clube há muitos anos e faz negócios com o futebol oriental. Atuou como dirigente do Flamengo em 2010 por apenas 4 meses e não se pode dizer que foi bem sucedido. Como Ministro dos Esportes, durante o governo Collor, não realizou nenhuma melhoria significativa ao ponto de ser lembrado. 
A maior dificuldade de Zico é conseguir as 5 assinaturas de federações nacionais necessárias para confirmar sua candidatura. Até 26 de outubro, o ex-jogador precisa convencer dirigentes de que seu nome é o mais indicado para o cargo de presidente da FIFA.
Além de Zico, há outros pré-candidatos mais influentes. Platini está há anos à frente da UEFA, o que lhe dá gabarito. Seu maior problema é conseguir se livrar das recentes denúncias. O coreano Chung Mong-Joon também surge como um candidato forte por ser presidente da Hyundai. Seu impeditivo é parecido com o de Platini. Mong-Joon está afastado preventivamente da FIFA por denúncias de corrupção.
O grande favorito é o príncipe da Jordânia, Ali Bin Al-Hussein. Derrotado por Blatter nas últimas eleições, Al-Hussein conquistou notoriedade. É o nome favorito dos EUA para ocupar o cargo. Os norte-americanos tem interesse direto no processo eleitoral, pois o futebol é o esporte que mais cresce por lá. Há um mercado enorme à espera. 
EUA e Jordânia mantém relações amistosas. Há interesses comerciais e estratégicos envolvendo os países. Ter um presidente jordaniano na FIFA pode ser interessante para ambos. 
Não por acaso, os EUA promoveram todas as prisões recentes no mundo do futebol. A ideia é desestabilizar o poder estabelecido há décadas e deixar caminho livre para Al-Hussein.
Zico é o azarão. Até mesmo o Galinho sabe que não é seu momento ainda. Entra na briga para ganhar visibilidade e voltar mais forte em outra ocasião. A vez é do príncipe da Jordânia. Política não é para ingênuos. Zico sabe disso.

3 de out. de 2015

AS ENGRENAGENS DA BOLA

Está em processo de elaboração um novo torneio de futebol que pretende englobar as Américas: do sul, central e do norte. A competição, batizada de America Champions League, é um projeto ousado que prevê a participação de 64 clubes em 9 meses de disputa. No Brasil, São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Vasco e Cruzeiro já receberam convite. A intenção dos idealizadores é que a Liga dos Campeões das Américas tenha início em 2017. Eles anunciam premiações estratosféricas, números de fazer inveja: R$ 20 milhões para cada clube participante, R$ 118 milhões em premiações e um total de R$ 2 bilhões em movimentações financeiras. 
Por trás da empreitada, um mega empresário de comunicação: Riccardo Silva. O Italiano é dono MP&Silva, empresa que detém os direitos de transmissão de quase todas as ligas europeias, sul-americanas, copa do mundo, NBA, entre outras competições. Riccardo, além disso, é dono do Miami FC, clube que joga a liga que mais cresce financeiramente em todo o mundo. A criação da America Champions League seria, sem dúvida, um tiro certeiro para as pretensões do empresário, qual seja: impulsionar o futebol nos Estados Unidos e alavancar seus lucros.
Um dos maiores incentivadores da investida de Riccardo é Marcelo Tinelli, astro da televisão da argentina e candidato às eleições de março de 2016 da AFA. Tinelli é apresentador de um show de entretenimento e acumula a sua função com o cargo de vice-presidente do San Lorenzo. Uma salada complexa e suspeita. É no mínimo estranho que um dirigente de clube seja presidente da federação.
Tinelli vê com bons olhos a criação da novo liga porque pretende minar as forças da Conmebol. A combalida instituição seria o desejo do pop star hermano. A entidade sul-americana perderia muito com a criação da America Champions League, afinal a sua principal competição, a Libertadores, sofreria uma grande desvalorização de mercado.
A Conmebol não vive seus melhores dias. Vem sendo investigada pelo não repasse de 54% de US$ 265 milhões referentes a premiações da Sul-Americana e Libertadores entre 2010 e 2013. Não há melhor momento para a investida de Riccardo e Tinelli. É o que se convém dizer: unir o útil ao agradável. 
Por parte dos brasileiros convidados, duas preocupações: o calendário apertado de jogos e não ferir os interesses. Ninguém quer participar de um torneio sem o consentimento de CBF, Conmebol e FIFA. A grana é tentadora mas, por enquanto, tudo não passa de um punhado de ideias que tem por trás gente graúda. Embarcar nessa, pelo menos agora, é um tanto arriscado.

24 de set. de 2015

TENTÁCULOS

Vem chamando a atenção o resurgimento de um nome inesperado, embora antigo, no futebol brasileiro. Me refiro ao Brasília, equipe de 40 anos e que já disputou sete vezes o Campeonato Brasileiro, foi campeão oito vezes do Candango e, recentemente, conquistou a Copa Verde. 
O Brasília tem em seu currículo o importante feito de ter sido um dos primeiros clubes empresa do Brasil, em 1999. Um dado honroso e que apontava para um futuro brilhante, não fossem os desvios que o futebol tem. Ainda mais quando associado a política.
A capital federal parece propícia para este tipo de ligação. Tudo que há no serrado está intimamente ligado a vida política. o Brasília não poderia escapar ao destino. Seu antigo proprietário, o advogado Luís Carlos Alcoforado, tem íntima ligação com Agnelo Queiroz, ex-governador do Distrito Federal e acusado de um bocado de crimes com a participação de Alcoforado. Antes do Brasília, houve a história de sucesso do Brasiliense, clube comandado pelo ex-senador Luís Estevão, condenado por crime de corrupção. 
O Brasília, pela primeira vez em um torneio internacional, acabou de ser vendido a um grupo de empresários dos Emirados. Gente que enxerga longe e não costuma dar tiro nos pés. Seu novo proprietário, o também advogado Luís Felipe Belmonte, detém 96% das ações do Brasília. Entretanto, entregou a gestão do clube ao grupo estrangeiro e tem em José Carlos Brunoro, um burocrata do esporte, seu braço direito. À primeira vista um modelo interessante de gestão e que aponta para um futuro promissor. 
Entretanto, novamente a maldição assombra o futebol candango. Belmonte, sócio majoritário do Brasília, foi advogado de Luís Estevão e responde, tal qual o ex-senador, aos crimes de desvio de dinheiro e formação de quadrilha.
Há muito mais no futebol do que meramente o jogo. Quem dera a vida se resumisse às quatro linhas. Quem dera fôssemos nós e a bola, sem os intermediários que insistem em sujar o esporte.

19 de set. de 2015

A CRISE ESTÁ RUSSA

A Rússia comemorou no último dia 18 de maio a marca de mil dias para o início da Copa 2018. É óbvio que em meio as festas nenhum político, dirigente ou celebridade se lembrou de comentar todo o ar obscuro que cercou a escolha do país como sede e as ameaças que ainda rondam a realização do mundial por lá.
Uma primeira análise da economia russa já seria suficiente para trazer temor. A expectativa de gastos, entre construção de estádios e infraestrutura, supera os 30 bilhões de dólares. A preocupação começa quando as sanções dos Estados Unidos e União Europeia demonstram sua força sobre a Rússia. Desde a crise na Ucrânia, as principais potências econômicas mundiais andam boicotando o governo Putin. Faltam fundos para tocar obras fundamentais. 
Um reflexo disso é a diminuição do principal estádio russo: o Luzhnik. A capacidade foi reduzida de 89 mil para 81 mil espectadores. Embora as autoridades neguem, o fato tem relação com a redução drástica de custos na margem de 30% a 40%. 
Um dos entraves é a desvalorização do rublo frente ao dólar de 30 para 50 por um. A maioria dos contratos feitos são com empresas estrangeiras e isso encarece as obras. A ordem é utilizar apenas material nacional daqui para frente. 
Além dos problemas econômicos, pesam sobre a Rússia as nebulosas relações políticas de Putin com os corruptos da FIFA. A maneira como o país foi escolhido sede ainda não foi totalmente esclarecida, embora ainda não hajam provas suficientes para incrimar os envolvidos. Nesse ponto, o afastamento de Jérôme Valcke, secretário da FIFA, pode cair como uma bomba nas pretensões russas. Valcke está sendo investigado por participação no esquema de venda de ingressos durante a Copa no Brasil. Ele é figura central nas negociações que envolvem políticos e dirigentes da FIFA. Sem o secretário, muitas coisas podem mudar de rumo.
Por enquanto, o Mundial de 2018 será mesmo na Rússia. Já aconteceram suspeitas anteriores sobre outros países noutras épocas. Nenhuma delas resultou em nada. Mas, há um quê de mudança no ar. O FBI que o diga.

8 de set. de 2015

O NOME NA HISTÓRIA

Wayne Rooney atingiu a marca de 50 gols com a camisa inglesa ao fazer, de pênalti, o gol da vitória por 2x0 sobre a Suíça. O jogo foi realizado em Wembley, nesta terça (08/09/15).
O gol alçou o jogador ao título de maior artilheiro da história do English Team, ultrapassando o lendário Bobby Charlton. É uma marca importante, tendo em vista o peso da camisa inglesa e a quantidade de bons jogadores que a vestiram.
Rooney tem história. Na seleção foram três copas: 2006, 2010 e 2014. Pelo Manchester United tem trajetória ímpar. Desde 2004 no clube, levou quatro premiere leagues e a champions league. Ele é o quarto maior artilheiro da história do United.
Curiosamente, Rooney é um sujeito controverso. Em campo apresenta um estilo muito arrojado, extrapolando as medidas por muitas vezes. Tem personalidade explosiva e se prejudicou inúmeras vezes por isso.
Nada, contudo, pode apagar a história dele com a camisa inglesa. Ser o maior artilheiro do English Team é tarefa das mais complicadas. E o que é mais curioso: destes gols todos, apenas 1 foi marcado em Copa do Mundo. Justamente na última edição, no Brasil.
Rooney não é craque. Está longe de ser uma unanimidade. Rooney, contudo, tem seu nome estampado na história do futebol mundial.

14 de ago. de 2015

O PASSADO SEMPRE VOLTA

abril.com.br
Kaká tem 33 anos e jogou seu último mundial em 2010 quando se esperava dele um protagonismo que não veio. Em 2002 era apenas um garoto, mas se beneficiou em participar de um grupo campeão. Em 2006, formava, ao lado de nomes badalados do futebol internacional, o chamado quadrado mágico: Ronaldinho, Kaká, Ronaldo e Adriano. O quadrado não engrenou e o meia também.
Kaká tem brilho e trajetória robusta no esporte e isso é história contada com números, títulos e gols. Ninguém veste as camisas de São Paulo, Real Madri e Milan à toa. Foi ídolo por onde passou e sempre demonstrou grande habilidade, dentro e fora de campo. Voltar à seleção brasileira depois de tanto tempo é até um prêmio para o jogador.
Muitos criticam a sua convocação argumentando que Kaká não estará no mundial da Rússia. Eu penso o contrário: temos escassez de meias. O Brasil joga, desde muito tempo, sem jogadores que pensem o jogo. Kaká poderia ser este homem. Quando imagino o jogador, o associo a Pirlo  que jogou como terceiro homem nos últimos anos de Azurra e se saiu muito bem. 
Dunga tem convocado remanescentes de 2010, como uma forma de trazer mais experiência e confiança para seu grupo de novatos. Maicon teve sua chance e desperdiçou com indisciplina. Robinho já foi chamado. Kaká também terá sua vez. Sobre os dois primeiros, realmente os considero ultrapassados. Não pelo futebol que jogam, mas por atuarem em posições de reposição menos complicada. Já a função de Kaká está em extinção e pode ser importante ter alguém com suas características no grupo. Vejamos se Dunga terá vida até a Rússia. Aí então, vejamos também se Kaká terá fôlego até lá.

29 de abr. de 2015

A LIÇÃO DO NORDESTE

A discussão sobre o fim dos estaduais é muito vasta para que seja definida em poucas linhas. É preciso que se avalie muitos aspectos antes de se chegar a uma conclusão. Fatores como: falência de clubes menores, enfraquecimento de federações e diminuição de mercado de trabalho devem estar na pauta. Também devem fazer parte do debate: desvalorização das competições, estádios vazios por falta de interesse e desvalorização do mercado da bola. Há prós e contras que devem ser medidos, como sempre se faz em um bom debate.
Entretanto, há uma realidade incontestável que ganhou forma e alma no nordeste brasileiro. Um fenômeno que se caracteriza pela mobilização popular e pelos bons índices de faturamento dos clubes. Um campeonato que surgiu como necessidade e  se transformou em exemplo: a Copa do Nordeste. Sua primeira edição data de 1976, mas não houve mobilização necessária dos clubes e a competição não passou desse ano. Em 1994, uma nova tentativa. Mais uma vez, os clubes não se organizaram com coesão e perderam a queda de braço para as federações. De 1997 até 2003, a Copa do Nordeste, agora organizada pela CBF, não sofreu interrupções. Entretanto, em 2004, sufocados pela falta de apoio da entidade e pelos jogos deficitários, os clubes acabaram por ceder aos apelos das federações e encerraram a competição.
Desde 2012, houve uma virada nesse cenário instável de interrupções. A Copa do Nordeste ganhou força e vulto. Os clubes se deram conta que seus campeonatos regionais, extremamente deficitários, não seriam suficientes para manter suas contas. A competição virou uma espécie de galinha dos ovos de ouro. Com um forte apelo local (a Copa é apelidada de Lampions League, em referência ao cangaceiro Lampião) e uma organização simples, sem regulamentos esdrúxulos, a Copa do Nordeste virou sucesso garantido. A prova disso é a decisão de 2015 entre Ceará e Bahia, no Castelão. Para esta partida, mais de 63 mil ingressos vendidos. Em toda a competição, quase 500 mil torcedores presentes aos estádios. 
A grande diferença da Copa do Nordeste para outras competições país afora e até mesmo para o Brasileirão, é que ela é gerida pelos clubes participantes. A CBF e suas politicagens ficam fora da organização. As federações, pequenos antros de corrupção, se limitam a sugar os campeonatos estaduais e não interferem no Nordestão. Eis aí um belo indício do porquê do fracasso do Carioca ou do Paulista.
O centro da questão está nos conflitos entre entidades e clubes que ficaram mais evidenciados na atual temporada. No Rio de Janeiro e em Minas Gerais não faltaram reclamações e ameaças de desfiliação. Enquanto no nordeste os clubes tiveram anuência da CBF para organizar uma competição forte, mas que não é uma liga, no sul e sudeste isso se torna mais difícil de acontecer.
Os clubes de maior poderio financeiro se encontram mais abaixo do país, o que aumenta, consequentemente o interesse financeiro e comercial nesta região. Deixar os clubes organizarem competições paralelas aos estaduais significa o enfraquecimento econômico das federações locais. Essas, vivem de seus estaduais de onde sugam belas quantias anuais. Por outro lado, a CBF não pode dar autorização para criação de competições paralelas porque depende do apoio dos presidentes de federações. Desagradá-los pode ser o fim do apoio político necessário para que se perpetuem no poder. 
E nessa rede intrincada o futebol brasileiro vai caminhando. Enquanto o nordeste ensina o caminho da mudança, o resto do país discute mudanças mirabolantes de paradigmas em congressos e conferências. É através da simplicidade que se encontra a resposta. Nesse caso, acho que preferem se fazer de cegos ou tolos, atitude que vem muito bem a calhar.

28 de abr. de 2015

GRATA SURPRESA

A Série A do campeonato italiano receberá um novo integrante na próxima temporada. De forma inédita, o Carpi, da região de Modena, estará entre os grandes da bota. O time empatou em 0x0 com o Bari e conquistou o acesso. Uma equipe que tem uma história muito curiosa, mas que desperta interesse pela forma como se estruturou.
O clube chegou a amargar a quarta divisão em 2000, quando foi à falência total. Em 2002, reabriu as portas com o nome de Calcio Carpi. Há 5 anos atrás, quando finalmente se reestruturou, a equipe estava na quinta divisão. Conseguiu um acesso por ano e chegou, pela primeira vez, à elite. Um exemplo de como se administra um clube. Pela solidez do trabalho até aqui, é de se imaginar que a equipe vá frequentar, por muitos anos, a Série A do Calcio.
O dono do clube, coisa muito frequente no futebol italiano, é Stefano Bonacini. Dono da famosa grife Gaudí, o empresário comprou o Capri por cerca de R$ 9 milhões. A ideia da gestão é simples: gasta-se menos do que se tem. Uma fórmula tão antiga, quanto eficaz. 
A cidade de Carpi é uma província da região de Modena, uma parte da Itália bastante industrializada. Há ali muito dinheiro circulante. Apenas não houve interesse em investimento nas equipes de futebol. O Modena, equipe mais famosa da região, não frequenta a Série A do italiano há 11 anos. Entretanto, equipes menos tradicionais, como o Suassuolo e o Carpi, despertaram interesse de investidores locais. São clubes que não tinham donos, estavam à deriva e podiam ser administrados sem influências de conselheiros ou ex-dirigentes, como acontece nos times brasileiros.
Há por aqui um preconceito recorrente de que pessoas que não são ligadas ao futebol não sabem administrar clubes. É um equívoco estúpido, uma ideia fixa que só contribui para perpetuar os velhos coronéis com suas antigas práticas. Que o pequeno Carpi possa nos trazer um ensinamento gigante: profissionalismo é fruto de planejamento e responsabilidade.

27 de abr. de 2015

OS MÉRITOS DE ASSIS

esporte.ig.com.br
Sempre que Ronaldinho Gaúcho se desliga de um clube, seu nome surge em diversos times no Brasil. Desde que deixou o México, depois de uma passagem pífia pelo Querétaro, o meia já foi especulado pelo Vasco e, agora, pelo Cruzeiro. É só o início da festa. Muitos outras possibilidades vêm por aí.
O que faz deste jogador especial? Ronaldinho já não e mais aquele há muito tempo. Então, porquê está sempre sendo especulado? De onde partem essas notícias? A quem interessa que sejam publicadas? 
No futebol, as coisas funcionam de uma maneira muito especial. A coisa é similar a uma bolsa de valores. As especulações comandam as ações. Se soltam uma informação que uma empresa tal teve seus diretores demitidos, aí os valores despencam. Assim é no esporte bretão. É preciso que se ventile o nome de um determinado atleta, muitas vezes e em diversos clubes, até que seu valor seja reaquecido no mercado.
A imprensa serve como meio para esse tipo de manipulação. Através dela a informação vai ganhando força até ganhar o status de verdade absoluta. Ao mesmo tempo, ela mesma (a imprensa), se nutre dessas especulações porque obedece a uma lógica mercantilista que se retroalimenta. A coisa funciona assim: o empresário planta a notícia no veículo de imprensa que, imediatamente, a divulga. O dirigente nega a notícia e o empresário também. Mas o que está escrito é já ganhou a rede não volta mais. Mesmo sendo publicadas as negativas do empresário e do dirigente, o que vale é a possibilidade do craque vestir a camisa de tal clube. No fim, ganham todos: empresário, imprensa e clube.
Assis, irmão e empresário de Ronaldinho, trabalha de forma muito eficiente. Ex-jogador, conhece bem os bastidores da bola. Quando seu irmão veio para o Flamengo, houve muita especulação sobre seu destino. Ao sair da Gávea para o Atlético-MG, também apareceram alternativas. Sua saída do Galo para o futebol mexicano teve escala no Palmeiras. Com o Verdão, Assis cozinhou a negociação até o fim. Todas as exigências foram atendidas pelo clube que esperava, no ano de seu centenário, presentear seu torcedor. No fim, uma frustração tamanho família e Ronaldinho embarcando para jogar no Querétaro por uma valor acima do esperado. Ou seja, o Palmeiras foi usado como meio para um contrato mais consistente com os mexicanos. E o que é mais assustador: o Alviverde voltou a ser especulado como uma das possibilidades nessa volta de Ronaldinho ao Brasil!
Ronaldinho Gaúcho apresenta um histórico recente que não inspira muita confiança. Depois do Barcelona, clube que deixou em 2008 e pelo qual viveu suas maiores glórias, o meia não teve boas passagens por Milan e Flamengo. Funcionou muito bem pelo Atlético-MG, em um time absolutamente encaixado pelo brilhante Cuca. Foi um período de seis anos, desde sua saída da Catalunha até a chegada a Belo Horizonte. No Galo, foram dois anos de clube e cerca de 1 ano e meio de bom nível técnico. No México, uma passagem pífia: apenas 21 jogos e algumas confusões. Muito pouco para que se justifiquem os supostos interesses pelo jogador. Ainda assim, haverá muitos. Todos por mérito de Assis.

7 de abr. de 2015

MONSTRENGOS

A cartolagem brasileira é bastante criativa quando o assunto é regulamento de campeonatos. Já houve de tudo no país do futebol. A última vem de São Paulo. Por força do regulamento, o Penapolense pode se classificar para as quartas-de-final do Paulistão e ser rebaixado, ao mesmo tempo! E se der muita sorte, a equipe do interior pode até se sagrar campeã e rebaixada!
É que, de acordo com o regulamento, ao final da primeira fase os quatro clubes de pior colocação descem. Além disso, os dois primeiros de cada chave avançam de fase. O Penapolense habita os dois territórios.
Há inúmeros exemplos de regulamentos esdrúxulos, principalmente em campeonatos regionais. No Rio de Janeiro, por exemplo, o descenso só será definido posteriormente. Ao invés de adotar uma regra simples, com os dois últimos times caindo, obedecendo-se critérios de desempate tradicionais, haverá jogos extras em um torneio repescagem que terá, inclusive, a presença do segundo colocado da segunda divisão. Está confuso? Eu também.
No mesmo Cariocão, classificam-se para a semi-final os quatro primeiros colocados ao fim da primeira fase. O primeiro e o segundo levam vantagem do empate. Mas, não é tão simples! O time só leva vantagem em caso de dois empates, literalmente. Se houver time vencedor na primeira partida da semi-final, não há mais vantagem de empate.
Perplexo? Ainda há mais exemplos. No torneio Rio-São Paulo de 2002, o número de cartões contava para critério de desempate. No Campeonato Brasileiro de 1974, por exemplo, um dos critérios era a maior média de renda. Em uma competição que reuniu 40 clubes, Nacional-AM e Fluminense avançaram para a segunda fase graças ao regulamento. O campeão foi o Vasco.
Toda competição é definida pela federação local, se for estadual, ou pela CBF, se for nacional. Porém, não decidem sozinhas. Os clubes, reunidos em assembleias que são conhecidas pelo nome de conselho arbitral, são os maiores responsáveis por definir os rumos dos campeonatos. São o dirigentes que escolhem e produzem as maiores bizarrices. Essa é uma comprovação irrefutável do amadorismo no futebol.
A bem da verdade, e a despeito de todas as críticas, apenas após a pressão da TV o regulamento do Brasileiro mudou para pontos corridos. Foi a partir de 2003 que as anomalias regulamentares desapareceram, cabendo apenas aos estaduais as maiores aberrações. O problema é: o que um dia foi lenitivo pode virar veneno. Em nome da audiência, os financiadores podem aumentar a pressão para o retorno do mata-mata ou de qualquer outro regulamento mais confuso. Tudo é possível no país da bola!  

4 de abr. de 2015

AFIRMAÇÃO

globoesporte.globo.com          Foto: Richard Souza
O que dizer de um profissional que já tem 29 anos de carreira? O que dizer de uma pessoa que atingiu seus 55 anos de idade? Pode-se alegar tudo, menos falta de experiência. Ricardo Drubscky tem tudo isso e mais um punhado de clubes em sua trajetória profissional. Passou por inúmeras situações no futebol e, seguramente, já experimentou vários sabores: dos amargos até os doces.
Ainda assim, Drubscky não esconde a ansiedade nas horas que antecedem seu primeiro Fla x Flu. Além da mística que envolve esse jogo, considerado patrimônio do Rio de Janeiro, o que por si só já seria motivo suficiente para justificar a inquietação, há uma outra razão que aflige Ricardo. O treinador tem, já em fase adiantada de sua carreira, a maior chance de sua vida. Antes do Fluminense, ele não comandou nenhum clube de peso no cenário nacional. Este é o primeiro jogo importante que participa na condição de protagonista. Haverá muitos olhares para o banco de reservas, mesmo com os artilheiros Marcelo Cirino e Fred em campo. A ausência de Luxemburgo aumenta ainda mais o protagonismo de Ricardo.
Drubscky é a novidade e representa, mesmo aos 55 anos, uma possibilidade de inovação. O futebol brasileiro está muitíssimo carente de novas mentes. O treinador do Fluminense tem um discurso diferente, embora um tanto confuso em alguns momentos. Mas logo se percebe, ao ouví-lo falar, que se trata de alguém que se preparou para exercer sua função. Tem preocupações extra-campo. Pensa o no futebol de forma macro. Sabe que há muto mais do que as quatro linhas e que, hoje em dia, diversos fatores concorrem para um bom desempenho de uma equipe.
Se o treinador vai fazer sucesso aqui, só o tempo dirá. Todos sabem como funciona o futebol e resultados ruins porão em risco seu trabalho. Ao contrário, se vencer o Fla x Flu, será considerado o supra sumo entre os técnicos de futebol. Ricardo parece saber disso e, por isso, entende o peso de sua função.
Nas duas vitórias que conquistou sob o comando do novo treinador, o Fluminense apresentou uma característica de jogo ofensiva, mas desarrumado na defesa. Contra a Cabofriense venceu por 3 x 0, mas passou alguns sustos. Diante do Barra Mansa vitória por 4 x 2, porém com extraordinária atuação de Diego Cavalieri. Deu para passar diante de equipes mais fracas. No Fla x Flu, o tricolor terá pela frente um adversário em iguais condições e a ameaça de ser duramente golpeado. 
Independente do resultado no clássico não se poderá fazer julgamentos do trabalho de Drubscky. Até mesmo para os profissionais de imprensa fica difícil avaliá-lo. Ricardo é uma espécie de treinador fantasma. Esteve no futebol nos últimos 30 anos, todos já ouviram falar sobre ele e ninguém o conhece muito bem. Por isso mesmo, deposito nele a esperança de algo diferente.
Drubscky já publicou um livro no qual pensa a prática do futebol (Universo Tático do Futebol- Escola Brasileira, 2003). Nele, propõe alternativas para a reestruturação desse esporte no Brasil. Demonstra profundo conhecimento, mas não fala apenas como acadêmico. Alia a formação na Universidade Federal de Minas Gerais com os anos de prática. Tem uma visão bastante ampla de como as coisas funcionam à beira do gramado e também nos bastidores. Ricardo já exerceu cargo de gerenciamento. 
Estamos acostumados a olhar para o placar e não para o processo. O objetivo a curto prazo é vencer. Essa meta pode até ser alcançada rapidamente, mas sempre será efêmera caso não haja um trabalho sólido por trás. Muito por conta dessa mentalidade rasteira é que paralisamos em termos de gestão de clubes, táticas de jogo e preparação física, enquanto países como Japão e Estados Unidos avançaram absurdamente. 
A desconfiança do torcedor se justifica pela falta de resultados do profissional. A lógica das arquibancadas se mistura a dos formadores de opinião. Para a torcida, de forma geral, o que vale é vitória. Para Ricardo Drubscky, o êxito no clássico é uma forma de obter a benção dos tricolores e o aval dos críticos, mesmo que temporariamente.

3 de abr. de 2015

ANACRONISMOS

lancenet.com.br        Foto: Cléber Mendes
Luxemburgo não começou ontem. Para seu azar, tem um passado. Sua história tem passagens mal explicadas, declarações infelizes e atitudes descabidas. Desde cheque sem fundo até acusação de assédio, muita coisa gira em torno do nome de Vanderlei. Todos precisam carregar alguma cruz.
No entanto, a vida pretérita do treinador não desqualifica suas reivindicações. Tampouco, justifica a coerção exercida pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro. Luxemburgo não incitou, em momento algum, a violência. Fez uso, através de um vocabulário bastante chulo, marca registrada do técnico, de um termo bastante corriqueiro no dia a dia: "porrada". Apesar do significado literal da palavra estar associado à luta, ela tem muitas outras possibilidades. No caso de Luxa, foi claramente uma alusão ao ato de criticar. A Federação não entendeu dessa maneira.
O artigo 133, do regulamento geral de competições da FFERJ, determina que no caso de jogador ou membro de comissão técnica se manifestar contrário ao campeonato, o clube ao qual pertence o profissional será multado em cinquenta mil reais. Conhecido como Lei da Mordaça, o artigo, aprovado pelos clubes em conselho arbitral, foi considerado inconstitucional pela Justiça do Rio de Janeiro. De acordo com a Defensoria Pública, ela fere o direito de liberdade de expressão.
O artigo foi vetado na justiça comum, mas segue em alta no TJD. O tribunal, ligado a Federação, toma suas decisões de acordo com os interesses da mesma. É pública e notória a desavença entre a dupla Fla-Flu e a entidade. Ficou claro que a FFERJ apenas esperou um pequeníssimo deslize para punir o Flamengo. Não pôde aplicar punição pecuniária, mas achou brecha para suspender seu treinador.
O STJD, tribunal ligado a CBF, também rejeitou pedido de efeito suspensivo da punição de dois jogos imposta a Vanderlei. Mas houve aqui motivo bem explicitado pelo presidente Caio Rocha. Segundo o magistrado, o que se visou foi não passar por cima de ritos que devem ser respeitados. Nesse caso, o processo deve ser primeiramente julgado pelo pleno do TJD. Excedida essa instância, aí sim o STJD entra em cena. 
Vanderlei será inocentado, não tenho dúvida. Não fazê-lo significaria se posicionar a favor de uma postura ditatorial que não condiz mais com os tempos atuais. Embora haja alguns anacronismos, como Eurico Miranda e Rubens Lopes, a história caminhou rumo ao desenvolvimento democrático. Luxemburgo apenas manifestou-se contrário ao regulamento do Campeonato Estadual que, ao limitar inscrição de atletas, prejudica, na opinião do treinador, a evolução do futebol. O que há de tão ruim nisso? O que há de tão criminoso em dar "porrada" no regulamento e, por conseguinte, na Federação?
Não há inocentes no futebol. Luxemburgo não é o arauto da moralidade, assim como não são exemplos de conduta os dirigentes de clubes de forma geral. Todos têm parcela de culpa nesse monstro que se tornou o futebol brasileiro, um exemplo muito bem acabado do que nossas instituições se tornaram. O perigo aqui é o descrédito absoluto nas organizações oficiais. A exemplo do que acontece em outros segmentos, o futebol está correndo risco de se tornar acéfalo. A partir daí, não há previsão possível para o futuro do esporte organizado.


29 de mar. de 2015

POR UM FIO

esportes.r7.com
A informação veiculada pelo jornal Extra de que Jobson pode trocar o Botafogo pelo Fluminense no segundo semestre me causa espanto. Primeiro porque gratidão não deve ser apenas sentimento, mas ação. O Botafogo sempre fez de tudo para tentar salvar a carreira conturbada do atacante. Não fosse o clube, Jobson já estaria esquecido.
Ao que consta, o valor do salário é o principal entrave para a renovação de contrato. Ora, é pública e notória a gravíssima crise pela qual atravessa o clube de General Severiano. Não seria esse o momento de Jobson demonstrar toda a sua gratidão? Por que não facilitar nesse momento tão delicado da história do Botafogo? 
Há uma falácia no meio do futebol que fala de profissionalismo para justificar atitudes como essa. Dirão os mais pragmáticos que Jobson é profissional e tem o direito de negociar valores mais altos. De fato, tem esse direito. Mas há um equívoco na afirmação anterior. Profissionalismo nunca foi uma característica desse atacante. São inúmeros os exemplos de falta de compromisso do jogador com o clube. 
Sendo benevolente e concedendo a Jobson, mais uma vez, o benefício da dúvida, suponhamos que o jogador esteja sendo influenciado por seu representante. Ora, o atleta já é bastante rodado para saber como as coisas funcionam no futebol. Sabe, sem sombra de dúvida, que a sua postura tem sido inadequada nesse episódio. Jobson já concedeu entrevista afirmando, categoricamente, que renovaria seu contrato sem problemas. Disse ele: "assino contrato até em branco". E por que não assinou até agora? Mentiu para ficar bem diante do torcedor? Disse a verdade, mas não pôde cumpri-lá? 
Jobson já teria abandonado o futebol não fosse as chances do Botafogo. Segue sem aprender com sua conduta. Jamais quis se transformar. Repete um discurso vazio de que os erros do passado ficaram para trás. Dentro de campo tem sido comum. Nunca, em sua história no Botafogo, demonstrou um futebol que justificasse ser chamado de craque. Quando muito, salvou o time do rebaixamento em 2009. É muito pouco, ou quase nada. 
Aqui entra a segunda parte do meu espanto: por que o Fluminense teria interesse nessa bomba relógio? O futebol que Jobson apresenta hoje, e mesmo aquele que já apresentou em outras épocas, não compensaria a contratação. Ter o atacante no elenco é sinônimo de dor de cabeça. Dentro de campo não resolve muito, como querem fazer parecer. Mesmo sendo o elenco tricolor bastante frágil, e de fato é, há outros nomes no mercado que poderiam ser mais eficientes para o time.
Jobson tem 27 anos. Para o futebol ainda não está velho. Tem uma estrada a percorrer. Entretanto, para pessoas como ele, o tempo passa mais depressa. Inúmeras portas já se fecharam para o jogador e suas opções, a cada ano que passa, se tornam mais escassas. O mercado olha com muita desconfiança para Jobson. Talvez seja General Severiano um dos poucos lugares dispostos a acolhê-lo. Se o atacante não mudar sua postura na negociação com o Botafogo, pode ser que o clube se canse e simplesmente desista. E se o alvinegro desistir de Jobson, não sei mais quem irá ajudá-lo.
 Jobson é remanescente da administração anterior. Maurício Assumpção rezava para que o contrato do jogador acabasse logo, pois não sabia mais o que fazer com ele. Fez um contrato muito longo para um problema maior ainda. Renê Simões e Carlos Eduardo Pereira tentam lidar com esse peso da melhor forma que podem. Não tratam Jobson como coitado, nem dão demasiada atenção para seus problemas. Se o jogador e seu agente insistirem em dificultar a renovação de contrato, o lugar dele será a rua. 
O Botafogo montou um elenco para a disputa da Série B, competição árdua. Todos que hoje vestem a gloriosa camisa sabem das dificuldades do clube. Nenhum deles fará exigências absurdas. Todos sabem que precisam se doar pelo objetivo comum: voltar à elite. Esse infeliz entrave criado por Jobson não condiz com o espírito alvinegro.

10 de mar. de 2015

A CULPA NÃO É DO THOMAZ

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Thomaz Bellucci está incomodado com a enxurrada de críticas que recebeu após a derrota para Federico Delbonis e a consequente eliminação brasileira nas oitavas de final da Copa Davis, principal torneio entre países no tênis. Ele entende as desaprovações dos torcedores, mas não aceita as depreciações que versam sobre seu estilo em quadra.
Bellucci alega que não tem o mesmo estilo de outros tenistas brasileiros aposentados, como Guga e Meligeni, que eram mais emotivos e enérgicos. Segundo Thomaz, o brasileiro, de uma forma geral, não se acostuma com atletas mais frios. Faz sentido, se levarmos em consideração que nosso povo é demasiado emotivo e, por vezes, se perde em seus próprios anseios. A seleção brasileira de futebol que o diga.
O problema maior de Thomaz Bellucci é ser contemporâneo de João Souza. Mais conhecido como Feijão, o tenista brasileiro protagonizou, no dia anterior à eliminação, uma partida épica com o argentino Leonardo Mayer. Foram quase sete horas de uma disputa frenética e exaustiva. Não faltaram raça, dedicação e vibração para Feijão. Houve muito drama em quadra, bem ao estilo brasileiro.
Mas, houve também derrota. João Souza, a exemplo de Bellucci, também perdeu seu confronto. Em termos práticos, ambos os jogos tiveram o mesmo efeito e, em mesmo grau, contribuíram para a eliminação, temporária, do Brasil na Davis.
O que as diferencia, no entanto, é a impressão passada ao público. Para os torcedores, sobrou disposição a Feijão e faltou a Bellucci. É como se Thomaz não tivesse dado o máximo que pôde; como se lhe faltasse determinação ou interesse para a vitória. Aos olhos do fã de tênis, Bellucci teria refugado da missão de vencer. 
Por outro lado, Feijão encarnou o que todo brasileiro espera de um desportista. Foi guerreiro, batalhador, teve empenho e suou sangue para vencer. Mas, perdeu. O esporte é a representação social de um povo. Ali, no jogo, o torcedor se projeta. Ele arremessa seus ódios, frustrações e anseios na competição que assiste. A história do brasileiro médio encontra no estilo de jogo de Feijão um modelo acabado. 
Há muitas diferença entre João e Thomaz. A começar pelo nome. Quantos brasileiros são Bellucci? E quantos serão João? Até mesmo a alcunha de Feijão o faz mais próximo de seu povo. Que brasileiro não gosta de feijão? 
Mas, ambos perderam e colocar a culpa da eliminação em Bellucci é covardia sem igual. O Brasil não caiu na Davis por conta da falta de empenho de Thomaz. O Brasil perdeu porque seu adversário, a Argentina, tem tradição infinitamente maior no tênis. Perdeu, porque vive de conquistas esporádicas e momentos grandiosos que não voltam, como Gustavo Kuerten. Perdeu, porque não investe em formação de atletas e centros de formação de profissionais. O Brasil perdeu porque não se preocupa com o esporte nas escolas e nas universidades. Perdeu e perderá tantas outras vezes, até que descubra que vitória pode acontecer por acaso, mas resultados consistentes levam tempo e investimento para acontecer. 

16 de fev. de 2015

CONTRATAR OU NÃO CONTRATAR?

odia.ig.com.br
Aírton, volante de ofício, não vai renovar com o Benfica, clube com o qual tem contrato até o fim de junho desse ano. Sem os portugueses na jogada, o Botafogo não precisará desembolsar a grana alta de transferência internacional e poderá ficar em definitivo com o jogador. Aírton tem contrato de empréstimo com o alvinegro até o meio do ano.
A transação vem bem a calhar com o que esperam os dirigentes alvinegros. Herdeira de dívidas escabrosas, a nova diretoria adotou a política da contenção de custos. A montagem do elenco vem obedecendo, criteriosamente, este aspecto. Medida impopular, mas necessária.
A questão é definir a relação custo/benefício nas contratações. É preciso avaliar se determinado atleta merece um investimento. Muitas vezes, o jogador é caro mas rende bons frutos dentro de campo, com alto desempenho técnico, e fora dele, com vendagem de produtos e retorno em marketing. É o caso, por exemplo, de Jéfferson, goleiro valorizado internacionalmente, portanto caro. Entretanto, tudo o que o clube pode ganhar em troca deve compensar o investimento.
O caso de Aírton é o oposto: jogador tecnicamente fraco, ele tem como principal virtude a forte marcação. É atleta para uma só função, coisa cada vez mais rara no futebol moderno. Até mesmo os goleiros exercem outras funções. Rogério Ceni e Manuel Neuer são bons exemplos. Aírton é barato, mas joga pouco, também em quantidade. Não leva muitos cartões vermelhos, como seu jeito truculento faz parecer, mas é constantemente suspenso por amarelos. 
Sem ter uma sequência de jogos, Aírton não pode apresentar um bom rendimento técnico. Fora de campo, não tem nem de perto a simpatia do torcedor. Ele é, portanto, aquele tipo de investimento que se convencionou dizer: "o barato que sai caro".
Então, fica a questão: vale a pena contratar em definitivo o volante? Para respondê-la é preciso se analisar o atual elenco do Botafogo. Na posição de Aírton temos, incluindo o mesmo, cinco nomes: Marcelo Mattos, William Arão, Andreazzi e Lucas Zen. Mattos é titular absoluto, mas tem um histórico recente de lesões gravíssimas. Qualquer cuidado é pouco. William está chegando; é uma aposta e, como tal, pode vingar ou não. Andreazzi é jogador da base e viveu, como todo os remanescentes de 2014, o trauma do rebaixamento. Amadureceu com a experiência, mas também precisa de mais rodagem. Lucas Zen está há cinco anos entre os profissionais. Deu sinais de que poderia vingar em muitos momentos, mas acabou refugando na maioria das vezes.
Contratar em definitivo Aírton pode, de fato, ser arriscado. Investir em jogador de futebol é como aplicar na bolsa de valores: é preciso uma avaliação criteriosa dos perigos de perda financeira. Esse me parece o caso do volante. Por outro lado, os dirigentes alvinegros não parecem ter muita escolha. Olham seu elenco e sua limitação financeira. Pensam em possibilidades e analisam o mercado. Certamente, nesse quesito, Aírton se apresenta como uma oferta tentadora.
Não podemos desprezar, também, a experiência acumulada do atleta. Revelado pelo Nova Iguaçu, teve a chance de ser campeão brasileiro pelo Flamengo em 2009. Acrescentou vivência internacional ao jogar pelo Benfica, embora tenha ficado em Portugal por apenas 1 temporada. Atuou pelo futebol gaúcho, região do país que apresenta jogo mais parecido com suas características. Apenas 1 ano por lá e a vinda para o Botafogo. 
Embora não pareça, Aírton tem apenas 24 anos e uma vida adiante. Há muito para acontecer na carreira desse jogador. Para isso, ele precisa encontrar um equilíbrio. Aírton deve ter em mente que adversários e árbitros irão persegui-lo. Jogadores irão provocá-lo até que perca a cabeça. Juízes irão vigiá-lo obsessivamente, procurando o menor desvio de conduta para expulsá-lo. Aírton precisará ser um homem diferente do que foi até aqui. Deverá domar impulsos e agir com frieza.